• Jaqueline Chile

Trabalhar de graça ou trabalhar em troca?

O que você vai levar dessa leitura:

- O questionamento de qual é a sua posição / estágio no mercado artístico

- Qual a diferença entre trabalhar de graça e trabalhar em troca.










Muitas vezes recebemos convites ou vemos anúncios chamativos do tipo “Venha aqui com sua peça teatro fazer uma apresentação — Pague pelo aluguel do espaço e não fique com a bilheteria” ou “exponha suas obras no meu espaço por R$XXXXX e não cobre ingressos por isso” ou até “casting sem cachê”, estágio sem ajuda de custo, etc!!


Assustar-se e cair fora de roubadas é primordial, valorize seu produto artístico! Entretanto, cada situação é única e podemos com certa facilidade, cair no engano de não entender muito bem quando existe um outro tipo de pagamento envolvido na proposta, uma contrapartida favorável pelo nosso trabalho e que pode gerar mais oportunidades se optamos por fazer.


Enquanto estamos dentro de um curso profissionalizante ou iniciando a carreira, é bastante plausível que acabemos topando participar e exercitar nosso ofício dentro de propostas como, no caso de atores como eu, curtas-metragens de colegas que também estão iniciando, ensaios abertos gratuitos, não cobrar ingressos por apresentação, ou expor obras simplesmente porque é uma proposta do mestre ou professor.


Por exemplo: você está estudando para ser ator em um curso de teatro de uma universidade, e estudantes do curso de audiovisual te convidam para participar de um trabalho que será produzido para o curso deles. Eles, assim como você, ainda não possuem expertise do negócio, mas sabem que podem te oferecer um material final bacana em troca, contatos com outros profissionais (assim você aumenta sua rede!), uma experiência de participar de um projeto que irá acrescentar na sua carreira e complementar seus estudos como ator.


Repare: Não estamos falando exatamente de “trabalhar de graça”, mas sim de entender sua posição dentro do mercado e compreender o que você ganhará em troca de se exercitar em prol de ser um bom profissional. Nesse caso, experiência é um conhecimento muito valioso.


Não estou dizendo que isso é uma regra e que sempre, enquanto estudante, você deve topar esse tipo de serviço, mas para que você saiba medir o quanto isso é interessante para o seu portfólio e reconhecer que talvez o pagamento, em alguns casos, não será somente em dinheiro. Saber ponderar se o trabalho para o qual você foi convidado a participar, mesmo que ainda seja estudante, é condizente com os seus propósitos profissionais é essencial. Ah, e vale ressaltar que isso não vale apenas para artistas, produtores, diretores, mas qualquer profissional pode se afinizar tranquilamente com essa ideia!


Continuando a trajetória do ator exemplificado acima…

Assim que formado pela universidade, é preciso ter em mente que não acabou a jornada, não poderá sair cobrando o mesmo cachê da Fernanda Montenegro e que ainda não estudou o suficiente para “aposentar-se” (cá entre nós, um segredinho: o estudo não tem fim). Teoricamente, diante dos olhos do mercado, a partir do momento em que você possui o seu DRT você é considerado um profissional! Porém, nem sempre isso é verdade e vale a pena desconfiar de si mesmo nesse caso. Observe seu portfólio, suas experiências, seu crescimento como artista e questione-se sobre o que você trabalhou e o que ganhou com cada um desses trabalhos. Trace uma linha do tempo desde o início da sua carreira até hoje e defina quais são as próximas metas. Isso vai te ajudar a entender o valor do seu trabalho, de maneira bem ‘pé no chão’ e sem crise do cachorro que caiu da mudança. Nem muito e nem pouco, você vale o que você conquistou até então.


Depois, aprenda na prática quais serão os trabalhos que realmente valem a pena para você! Ninguém deve trabalhar de graça, e se o seu trabalho envolve música, teatro, dança, pintura ou qualquer outro tipo de arte, aceitar muitos ‘gratuitos’ pode ser bastante devastador, fuja de lugares que irão abusar do seu trabalho e ainda te deixarão na mão. Reconhecer uma oportunidade e compreender que nem sempre você será pago com dinheiro, mas que alguns trabalhos podem lhe retribuir com um bom portfólio, divulgação, rede, entre outros ícones importantes também faz parte.

Em resumo:


Trabalhar de graça — oferecer seu trabalho, negócio, ofício ou mão de obra de maneira que este possa ser explorado pelo contratante, não pago e sem nenhuma contrapartida favorável.

Trabalhar em troca — Reconhecer permuta pelo seu trabalho, negócio, ofício ou mão de obra, com contrapartida positiva que irá colaborar com a construção e sustentabilidade do seu fazer artístico.

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